Reflexão – Módulo IV

CURSO DE FORMAÇÃO:

Implementação Novo Programa de Português

do Ensino Básico

REFLEXÃO SOBRE O 4º MÓDULO

Não obstante o Novo Programa de Português realçar a prática integrada das várias competências, a da Escrita assume um papel fundamental, uma vez que é considerada o veículo do saber, ou seja,  é através desta que se reestrutura o pensamento e que se toma consciência dos mecanismos utilizados no acto da fala. Para além disto, abrange a Leitura e o Conhecimento Explícito da Língua. Assim, o professor de Português, para além de mediador da leitura, deverá sê-lo, também da escrita e, como tal, deve proporcionar aos seus alunos momentos que possibilitem a sua aprendizagem.

Com o programa de Português de 1991, todos nós tentámos implementar estratégias que possibilitassem aos alunos a percepção dos seus erros e se autocorrigissem. Surgiram, então, os códigos de correcção, o aperfeiçoamento de texto, as listas de verificação, a auto e a hetero-correcção, etc… Contudo, não conseguimos abdicar de utilizar a caneta vermelha e de sublinhar tudo o que era erro ortográfico, morfológico ou sintáctico e a ânsia de cumprir o programa juntamente com o desalento das resmas de produções de texto para corrigir levou-nos a centrar-nos basicamente na leitura e no Funcionamento da Língua. Penso que outra das falhas, foi também, apostarmos na teoria, na transmissão das regras e na aplicação das mesmas em frases áridas ou em textos com os quais não existia, por partes dos alunos, uma identificação ou afinidade.

Na minha prática pedagógica, tenho tentado, não tantas vezes como o desejado, implementar momentos de escrita. No entanto, ao longo deste ano lectivo, procurei com maior insistência, incutir nos alunos a necessidade de planificarem e de aperfeiçoarem os textos (revisão). Actividades que nem sempre foram aceites de bom grado, pois não é compreendido por estes a necessidade das várias etapas e o acto de escrever é cada vez mais aborrecido para as crianças de hoje. Possivelmente, quando estas práticas forem generalizadas aos vários ciclos, se tornarem rotineiras e forem implementadas com maior convicção a adesão será diferente.

À semelhança dos anos anteriores, verifiquei que a escrita de pares ou de pequenos grupos é mais produtiva, mais reflectida, pois o diálogo gerado entre os alunos permite-lhes pensar sobre o que registam no papel. Na apresentação à turma dos textos produzidos verifica-se que a maioria dos alunos consegue opinar sobre os trabalhos dos colegas e reconhecer alguns erros, contudo não consegue mobilizar esse conhecimento quando está perante a sua própria escrita.

A escrita individual, mesmo quando tem carácter avaliativo, é realizada por alguns alunos em tempo recorde, as ideias são deitadas para o papel sem serem digeridas e depois disto não há um momento de reflexão, ou seja uma pós-leitura do texto escrito.

Relativamente às sequências didácticas e fazendo um paralelismo, podemos entendê-las como uma planificação a curto prazo, as quais a olho nu não parecem estar muito afastadas das que vigoram nas escolas. Quando analisamos uma planificação à luz do antigo programa, verificamos a existência de colunas que contemplam itens similares, ou seja, competências, domínios, conteúdos, processos de operacionalização (actividades e estratégias), recursos, tempos e avaliação. Todavia, o que muda substancialmente é a forma como se articulam estes itens, isto é, a coluna das competências vai deixar de ser meramente decorativa e a nossa labuta deixará de estar centrada nos conteúdos.

Concretizando, pretende-se que uma sequência didáctica preconize o desenvolvimento integrado de todas as competências. Assim, ao pensarmos num projecto a desenvolver com uma turma, o qual deve estar em consonância com o Projecto Curricular de Turma, temos que eleger a competência foco, não abdicando das restantes, que são definidas de acordo com os descritores de desempenho que se pretendem trabalhar. Para além disto, a planificação das actividades é feita por etapas, que têm em conta os conhecimentos prévios dos alunos e neste prisma subsiste o principio da progressão.

Os aspectos referidos fazem das sequências didácticas um importante instrumento de trabalho, no entanto deverá ser simplificado, pois, ao aumentar trabalho do professor, poderá ser um entrave à sua utilização e à implementação do ensino do Português como está previsto pelo novo programa.

20-Junho-2010

Filomena Lemos

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